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maio 09, 2010

O fim da Monarquia e a alvorada da República

O fim de um regime político apresenta sempre sintomas, qual doença aparentemente silenciosa, mas que dá indícios que não são devidamente analisados e atacados.
O século XIX, em Portugal, foi profícuo em tumultos, logo no início, pelas invasões francesas (1807 - 1809 – 1811) e depois, pela guerra civil (1832 – 1834), que opôs os defensores do antigo regime, os absolutistas, aos defensores de uma nova visão do mundo, os liberais.
Com a vitória destes últimos e a consolidação do regime liberal, parecia que a nação iria enveredar por um percurso de reformas em áreas tão diferentes como a educação, a agricultura, a industrialização ou as vias de comunicação, numa tentativa de aproximação ao desenvolvimento dos países do centro e Norte da Europa.
No entanto, o esforço efectuado não teve em linha de conta a distância a que estávamos desses países, e a falta de um pensamento ou desígnio que traçasse a linha de rumo necessária com políticas muitas vezes erráticas e inconsequentes, a dificuldade de entendimento dos políticos da altura, contribuíram para que não se conseguisse motivar, de forma abrangente, os portugueses para a mudança.
Os sucessivos governos da monarquia liberal, a confusão quase constante nas Cortes, as revoltas populares como a revolta da Maria da Fonte, no Minho (1846) e outras, a dificuldade em mudar as mentalidades, a que não é alheio o analfabetismo da população, vão contribuir para o ruir do regime monárquico.
Apesar dos esforços, das leis e políticas, as ideias republicanas emergem e frutificam essencialmente entre a burguesia, a nova classe dirigente, com forte poder económico.
Neste contexto, se insere a primeira revolta republicana, no Porto, cidade iminentemente burguesa, a mais industrializada e comercial do país. Esta revolta, 31 de Janeiro de 1891, congregou os descontentes com o regime vigente, agravado pela capitulação do rei D. Carlos às exigências da Inglaterra no seu ultimato, dirigido a Portugal. Embora derrotados e vencidos os homens desta primeira revolta, o rastilho do fim da monarquia estava ateado, mas passariam ainda cerca de vinte anos até ao triunfo republicano em 1910.
As dificuldades, cada vez maiores, que o rei D. Carlos teve em dar resposta às exigências da nação, em implementar, através dos seus ministros, as políticas necessárias ao desenvolvimento do país que visariam a gradual eliminação da pobreza e atraso das populações rurais e urbanas, vão propiciar o minar dos alicerces da monarquia.
Aliado a uma adversa propaganda jornalística constante, o último governo monárquico, liderado por João Franco, que implementa directivas ditatoriais, será verdadeiramente “o canto do cisne” da monarquia.
O fim próximo inicia-se em 1908, com o regicídio, em que são assassinados o rei e o príncipe herdeiro. Os meses seguintes, com um rei inexperiente ao comando, são apenas o prelúdio iminente da revolução.
Esta acontece na madrugada do dia 5 de Outubro de 1910. A revolução é rápida e eficaz. Às primeiras horas desse dia, o republicano José Relvas anuncia, à varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, o fim da monarquia e o nascer de um novo regime, a República.
José Relvas na varanda da Câmara Municipal de Lisboa
Maria Lígia Patacho

maio 05, 2010

Centenário da morte do rei D. Carlos


Falhei-lhes num dos meus textos aqui postados que a agonia da Monarquia e a passagem para a República seria objecto das nossas pesquisas para o blog, não foi?
Ora, é exactamente sobre o primeiro ponto que lhes quero falar hoje.
Em 2008 comemorou-se o centenário da morte do rei D. Carlos. Nós na Biblioteca da nossa Escola e em ligação com os alunos que eram habituais frequentadores e organizámos uma exposição no Polivalente, sobre os acontecimentos e intervenientes dos acontecimentos dessa época.
A Monarquia agonizava, por várias razões e, delas ouvirás falar nas aulas de História. A morte do Rei e do Príncipe herdeiro, Luís Filipe, veio abrir caminho mais rapidamente para a queda da Monarquia para dar lugar a um novo regime - A República, cujo centenário estamos a comemorar este ano.
Para a exposição do Centenário da morte do Rei D. Carlos, durante vários meses um grupo de alunos fez uma recolha de recortes publicados na imprensa. Mais tarde, com o material pesquisado, montámos uma bonita exposição para ser visitada pelos alunos de História, em particular e, a comunidade educativa em geral.
Foi um êxito e eu como professora Bibliotecária fiquei muito orgulhosa do trabalho e dos alunos.
Vê as fotografias.
Faz um comentário.
Este ano como sabes comemora-se o centenário da República Portuguesa e estamos também a recolher material da imprensa sobre o novo regime- A República.
Quem sabe se mais tarde dependendo do teu empenho, poderemos também fazer uma exposição?
Participa na recolha de materiais e leva-os à BE/CRE.
Colabora!








A Prof. Bibliotecária, mas sobretudo tua amiga
Cândida Ribeiro